““Milho de pipoca que não passa pelo fogo…”

Hoje o Facebook me trouxe uma lembrança mais que oportuna. Uma postagem com a mensagem: “Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando PASSAMOS PELO FOGO. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira”. E há exatamente 1 ano atrás passei pelo fogo. E que fogo.

Era quinta feira, um dia normal de trabalho pós feriado, com as angústias de quem tem um bebê em casa, correria normal para sair, trabalhar, ir em casa no almoço ver se estava tudo bem e amamentar o pequeno, voltar correndo para não perder o horário a não ser por uma questão: minha estabilidade havia acabado. A “falsa paz interior” em se ter acolhimento, compreensão e valorização pois agora além de ser uma profissional que sempre deu o seu melhor, também era Mãe, foi-se embora e junto com o término da minha estabilidade veio a surpresa: meu desligamento.

Não fui desligada sozinha. Faltando 20 minutos para encerrar o expediente, houve uma demissão em massa na empresa, com a justificativa da crise econômica. Até aí tudo bem. Todos estamos sujeitos a isso, ainda mais no momento caótico em que estamos vivendo no nosso país. Mas junto com a carta de demissão, veio a dúvida: porque eu? Numa equipe de 10 pessoas, porque eu fui a escolhida? Eu, que sempre dei o meu melhor, que nunca me neguei a ficar depois do expediente quando a empresa precisava (sou contadora e o expediente contábil normalmente se estende nas empresas). Eu que tanto precisava do trabalho, eu que estava com um bebê de 6 meses em casa e precisava deste acolhimento, me sentir útil, precisava do meu salário no fim do mês para pagar as contas. No momento que uma mãe mais precisa de acolhimento não o tive. Foi justo comigo? Naquele momento, com certeza não. Mas hoje, sei que foi o melhor que poderia ter acontecido. Saí de lá muito trêmula e com um mix de sentimentos: alívio por poder ter um tempo a mais para ficar com meu bem mais precioso, meu filho, e ao mesmo tempo uma frustração tomava conta de mim. O que vou fazer agora? Eram tantas perguntas que o máximo que consegui fazer foi pegar o carro e ir embora para casa.

Depois do susto, veio a revolta. Vi que era mais uma na estatística pois várias mães passavam pela mesma situação de serem desligadas após o retorno ao trabalho pós licença maternidade/término da estabilidade. Não consegui por um bom tempo dimensionar a mistura de sentimentos, mas entreguei nas mãos de Deus o ocorrido e optei em ficar em casa até que Miguel completasse 1 ano. Era o tempo considerado ideal para que acompanhasse de perto seu desenvolvimento, para continuar amamentando e para me reorganizar para voltar ao mercado.

O prazo que me dei estava se encerrando. Estava mais inquieta que o normal e um desejo de mudança, de sair da minha zona de conforto e poder ficar perto do meu filho estava latente. Queria empreender, mas nãos sabia nem por onde começar. Após uma conversa com a Mariana Bicalho, resolvi fazer um programa de Coach. Em paralelo, fui convidada para participar de alguns processos seletivos e para minha surpresa, uma das empresas me escolheu e recebi um retorno muito caloroso para que começasse imediatamente. Mas e eu, estava escolhendo essa vida novamente para mim? Depois de muito conversar com meu marido (ele foi fundamental nessa transição), decidi recusar essa proposta e seguir meu caminho. Muitos me chamaram de “doida” mas decidi empreender num país em crise, com filho pequeno e com o coração cheio de vontade de fazer dar certo e fazer acontecer.

Neste momento tive a certeza de que não virei “piruá” (milho de pipoca que passa pelo fogo mas não se transforma em pipoca) pois me redescobri como mãe, como empreendedora e hoje faço o que gosto, estou com meu filho todos os dias, com flexibilidade e muito mais leveza. Trabalho pouco? Não… pelo contrário, trabalho muito mais que antes, mas com o diferencial que hoje trabalho feliz!!!!

Que saibamos virar pipoca sempre!!

“E há os que passam pelo fogo e continuam sendo “piruá” o resto da vida! Eis o livre arbítrio: mudar, fazer girar, transformar ou permanecer no mesmo lugar reclamando porque nada muda”.

 

Viviane de Paula Horta, mãe do Miguel e empreendedora na SoulFitbh

6 respostas para “““Milho de pipoca que não passa pelo fogo…””

    1. Parabéns amiga! Você sempre foi em frente e sem medo venceu seus desafios! Porque não seria assim agora não é?
      Deus a abençoe e que o sucesso te acompanhe sempre!!!!

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