MOMMYS PELO MUNDO – Itália

“Olá, eu sou a Tati, esposa do Paolo e mãe do Rafael de 4 anos – e nós moramos na Itália.

Antes de começar a contar como viemos parar aqui preciso voltar em 2009.

Eu morava em Nova Iorque há alguns anos mas já estava cansada da vida frenética de lá. Paolo, que é italiano nato, foi passar uns dias de férias com a família na cidade e eu o conheci. Continuamos nos falando todos os dias (eu em NY e ele na Itália) até eu conseguir fazer a minha mudança de “volta” para o Brasil no início de 2010.

Cheguei em BH, resolvi umas questões burocráticas e na metade do mesmo ano já estava a caminho daqui. Fomos morar juntos e acabei morando com ele por 3 anos. Nos casamos aqui mesmo, parte da minha família veio. Foi uma festa bem linda e tipicamente italiana com toques de Brasil. Esses 3 anos morando aqui foram muito bons mas eu não estava feliz. Eu tinha saído de uma realidade como Nova Iorque para vir morar numa cidadezinha de interior, com 4 mil habitantes no norte da Itália. A vida era muito pacata e eu praticamente não trabalhava. Paolo tinha uma certa flexibilidade no trabalho e conseguíamos viajar, saíamos muito para jantar fora, ele tocava em uma banda na época e toda semana tinha um show. Eu adorava, mas a vontade de estar perto da minha família, dos meus amigos e do meu país só aumentavam. Já eram quase 10 anos morando fora do Brasil e perdendo todos aqueles momentos mais importantes na vida de quem amamos: casamentos, nascimentos, mortes, doenças. Perdi muita coisa.

No início de 2013 descobri que estava grávida e foi aí que tirei forças para mais uma mudança. Era hora de voltar para BH e ter meu filho perto da minha família. Meu marido, que sempre morou na mesma cidadezinha, topou na hora! Apesar dele ter um emprego seguro, com zero chance de demissão, ele estava desmotivado e via no Brasil uma oportunidade de crescer profissionalmente e um ótimo lugar (com clima maravilhoso) para criarmos nosso filho.

Voltei para o Brasil grávida de 4 meses com mil malas, meio enxoval debaixo do braço e minha cachorrinha na garupa.

Começamos nossa vida do ZERO. Compramos apartamento, reformamos ele todo, compramos carro, nosso filho nasceu. Eu desempregada, claro, e o Paolo, sem curso superior, dando duro na empresa que trabalhava. Ele conseguiu um trabalho na mesma área em que tem formação técnica, mas como não tinha um diploma era visto como um imigrante incapaz. Como ele se decepcionou..ele que sempre foi muito bom, acima da média no que fazia, mas teve que provar muito que era excelente até conseguir crescer na empresa e ter o respeito das pessoas.

Vivemos por 4 anos no Brasil. Foram anos de muita dificuldade, de muita ralação e sem dúvidas muito aprendizado. Falamos que se sobrevivemos esses 4 anos morando aí, passaremos o resto das nossas vidas juntos.

Muita coisa chata aconteceu nesse período. Nosso padrão de vida era muito inferior ao que estávamos acostumados aqui na Itália. Meu marido foi assaltado a mão armada em uma manhã em que esperava pelo ônibus da empresa para ir trabalhar. Nosso carro foi arrombado em uma rua movimentada num dia de semana. Todas essas coisas foram nos desestruturando.

Um certo dia, no início do ano passado, meu marido me disse: eu estou aqui por você e pelo Rafa. Só por isso. Se você me disser que quer voltar a morar na Itália, eu juro que começo hoje mesmo a procurar um emprego lá. A ideia de deixar novamente minha família me matava. Mas naquele momento eu já não aguentava mais tanta tragédia, tanta maldade, tanto absurdo que víamos e ouvíamos. Coloquei meu filho na minha mente e visualizei a vida que eu queria dar pra ele. Só pensei nele. O que seria bom PARA ELE. Sem pensar na comodidade do meu marido em voltar para o seu habitat natural, sem pensar na vidinha pacata e monótona que eu poderia voltar a ter dali pra frente. As respostas estavam claras na minha cabeça e tomei a decisão.

Naquele mesmo dia Paolo inseriu o currículo dele num site italiano de empregos e começou a receber notificações de vagas do interesse dele. Foi muito rápido, em pouco tempo ele já estava fazendo entrevistas por skype e passando pelas etapas do processo de admissão.

Recebeu 3 ótimas propostas. Escolheu, claro, a melhor. Foi Deus, não tenho dúvidas. Foi nos guiando em todos os passos.

Paolo veio na frente porque começaria logo a trabalhar. Eu fiquei mais um mês no Brasil resolvendo as questões da nossa mudança, de novo.

Tudo deu muito certo pelas condições que já tínhamos aqui. Temos uma casa que é nossa, ele tem um emprego garantido (o contrato dele é de tempo indeterminado e não pode ser demitido), temos a outra metade da família que nos dá total suporte, temos toda uma estrutura. Não saímos do Brasil com a cara e a coragem. Não faríamos isso de novo!

Após esses 3 meses da nossa mudança faço diariamente uma reflexão: como a vida aqui agora com o Rafa faz mais sentido. Nossa vidinha aqui é muito pacata sim, mas com filho fica tudo muito mais colorido. Nossa rotina é tão tranquila! A nossa qualidade de vida é lá no alto.

A escola dele é integral e particular (até 5 anos de idade – depois é pública). Pagamos 170 euros por mês de escola e isso inclui o almoço maravilhoso que eles oferecem. Super balanceado: muita fruta, verdura, legume, massas, carne, peixe, pão. Não precisamos mandar nada além. A metodologia do ensino é montessoriana. Na sala dele tem crianças de 3 a 5 anos. A saúde é pública. Ele tem o pediatra que o atende que sempre que precisamos conseguimos uma consulta para a mesma manhã. Remédios com receita tem quase custo zero. Agora estamos no inverno e isso é um pouco complicado para quem vem de um país como o Brasil. Ele adoeceu 3 vezes durante esse tempo. No Brasil não adoecia nunca. Além das baixas temperaturas, a entrada dele na escola agora foi como o início da vida escolar. Mas isso é o de menos. Ele já está super adaptado, se comunica com muita desenvoltura com os coleguinhas. Uma vez por semana vamos à biblioteca porque fazem leiturinha para as crianças e trabalhinhos manuais. É uma delícia!

Pela primeira vez nesses 4 anos estou conseguindo realizar o papel de mãe. De levar e buscar na escola, de levar ao médico, levar para fazer atividades, para brincar, de acompanhar de perto o crescimento dele. E confesso que estou adorando ter mais tempo para ele.

Entendi que preciso me abrir para o novo, me inserir na cultura e nos costumes das pessoas daqui. Isso faz muita diferença! Quando você sente que faz parte daquela comunidade e não é somente um estrangeiro vivendo num lugar que não é seu. Isso aqui agora é meu sim e quero fazer as coisas que as pessoas daqui também fazem. Temos casais de amigos com filhos, nos encontramos sempre. Comecei a fazer aula de dança latina, estou me dedicando a fazer caminhada, corrida, o que aparecer eu vou. Tenho um projeto ainda no papel de trabalhar de casa. Participo de tudo que me convidam. Hoje posso dizer que era essa vida que eu sempre sonhei para minha família!”

2 respostas para “MOMMYS PELO MUNDO – Itália”

  1. Muito legal…tenho um casal de amigos que também se mudou pra Itália com.os 3 filhos. No caso ela é italiana. Mas já moravam no Brasil há 15 anos.

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