MOMMYS PELO MUNDO – Chicago

 

“Meu nome é Ana Carolina (37 anos), sou casada com o Bruno (37 anos) e sou mãe do Felipe (2 anos). Nós moramos em Chicago-U.S. há 2 anos e meio.

Além da contar sobre minha vida em Chicago, vou falar sobre como viemos parar aqui.
Eu e meu marido somos casados há 7 anos e já havíamos morado nos Estados Unidos (2013-2014), porém cada um em um lugar (eu fazendo pós doutorado em San Antonio-Texas e ele prestando consultoria em Pittsburgh-Pensilvania).
Voltamos pra BH em janeiro de 2015, eu retomei minha pesquisa e ele a consultoria. Meu marido sempre viajou muito, ficava apenas os finais de semana em casa e nós já estávamos cansados disso, principalmente porque começávamos a pensar em ter filhos e ele não queria ser “pai de final de semana”.
Alguns meses se passaram e meu marido recebeu uma sondagem para trabalhar fora  (ainda nada certo porque dependia da aprovação do visto de trabalho), mas que dessa fez iríamos os dois, de mudança. Eu tomei um susto, mas disse que topava. Eu teria que largar tudo, e mais, iria com um visto que não me permitiria trabalhar.
Foi aí que em uma sexta-feira, 8 de maio de 2015 (véspera do dia das mães), meu marido chega em casa (depois de ter passado a semana toda fora) e me diz: saiu meu visto de trabalho, agora tenho que falar se aceito ou não a proposta. Eu respirei fundo e respondi: ok, mas agora tem mais uma coisa: eu estou grávida! (eu havia feito teste de farmácia, no trabalho, nesse mesmo dia). Foi uma alegria imensa, mas aquela segurança inicial, da minha parte, de ir, já não era mais a mesma. Tive medo de não dar conta de tudo sozinha (filho, casa, outra cidade… muitas mudanças). Fato é que meu marido tinha uns 10 dias para dar um resposta… conversamos muito, entre nós e com outras pessoas. E decidimos aceitar (seria ótimo para nós dois e também poderia abrir novos caminhos para o nosso filho no futuro). Isso ainda era maio e nos mudaríamos em setembro.
E assim foi, cheguei em Chicago com quase 7 meses de gestação. Meu marido já havia vindo antes e alugado uma casa, eu já havia pesquisado e encontrado uma obstetra brasileira.
Exatos 3 meses após nossa mudança, Felipe nasceu… 29 dezembro de 2015, muuuito frio e neve.. difícil de sair de casa. Passei por um trabalho de parto um pouco complicado, Felipe tinha queda do batimento cardíaco a cada contração, e foi assim durante quase 8 horas, até que minha médica decidiu por uma cesárea. Felipe ficou no CTI por 36 horas.. foi bem difícil. Graças a Deus me mãe estava comigo.
A primeira noite de Felipe no quarto foi no ano novo!! O atendimento que tive no hospital foi impressionante, parecia que eu era a única pessoa internada lá. Varios enfermeiros e médicos a todo tempo, consultoria de amamentação (que após 1 semana do parto, me ligou pra saber como estava tudo e se eu precisava de uma visita em casa para alguma orientação). Começava um 2016 mais que especial. Tive ajuda da minha mãe e minha sogra. E quando Felipe completou 2 meses, passamos a ser só nós 3. Meu marido trabalhava muuuito, saia muito cedo e voltava super tarde. Era bem cansativo.
A rotina ainda continua essa, há 2 anos sou mãe em tempo integral (meu filho ainda não vai pra escola) e dona de casa também (minha carreira está em stand by, mas esse ano será retomada).
Eu tive muito medo e hoje, quando paro e penso, vejo que a maternidade aqui foi e está sendo mais fácil do que eu podia imaginar. Meu marido apesar de continuar trabalhando muito, volta pra casa todos os dias e pode acompanhar de perto o crescimento do Felipe. E Ele, Felipe, é louco por esse pai.. ele espera o dia todo pela chegada dele, e quando o pai chega, não tem pra ninguém, e eu??? Adoroooo… porque já estou super cansada e quero mesmo é uma folga. E apesar da rotina exaustiva, curto e acompanho cada novo acontecimento na vida do Felipe. Ele é meu companheirinho, ele está comigo em TODOS os lugares.
Hoje eu penso que foi tudo perfeito: porque se eu já tivesse um filho no Brasil, com toda uma rede de apoio de família e amigos e de repente tivesse que me mudar e fazer tudo sozinha, seria bem mais complicado ou se eu ainda não estivesse grávida, eu ficaria com um medo danado de engravidar aqui… Deus sabe mesmo o que faz.
Já estamos super adaptados á vida aqui. Escola, até 5 anos, é bem caro (a partir daí  ele tem direito a escola pública de qualidade), esse é inclusive um dos motivos pelos quais ele só começará escola agora em maio 3x por semana. Saúde também não é barato, mesmo você tendo um bom plano de saúde, ainda gasta-se muito, caso adoeça.
Temos um pediatra muito bom, que me ajuda via email caso seja necessário (isso é raridade aqui), outra coisa que pode assustar um pouco é a alimentação… mas isso tentamos balancear em casa e não ficar paranóicos quando comemos fora de casa, mas fato é que com 2 anos meu filho já pula de alegria ao ver batata frita e pizza.
Apesar do longo período de frio aqui em Chicago (vai de out-nov até abril-maio), temos muitas opções de lazer indoor  (museus, aquário, biblioteca.. tudo preparado pra receber crianças e adultos) o que facilita muito. E o verão daqui compensa tudo, a cidade é simplesmente sensacional no calor, muita atividade ao ar livre, praia, parques, eventos de graça… e o melhor de tudo com seguranca!! Não preciso ter medo de andar na rua sozinha com meu filho, não preciso ter medo do momento de tirá-lo ou colocá-lo na cadeirinha do carro, não preciso ter medo de deixar a bolsa no carrinho e ir atende-lo no parquinho….e isso é muito importante pra mim.
Claro, sentimos muita falta da família.. e Felipe, tem sentido cada vez mais. Fala que quer ir pro Brasil, que quer ver os primos, tias, avós.. mas conversamos com ele e ele entende.
Enfim, somos felizes aqui, temos muitos amigos e uma vida maravilhosa que só nos resta agradecer!”

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