Maternagem Política

De tudo que eu li, busquei e busco de informação sobre a maternidade, ao entrar nesse universo, nada despertou e ainda desperta tanto a minha curiosidade quanto as questões relacionadas com a educação emocional das nossas crianças. Tinha certo de que antes de falar, contar até 10, saber nadar, aprender inglês, era medida impositiva nesse mundo do maior amor do mundoensinar e/ou auxiliar minha filha a lidar com as próprias emoções, haja vista que antes de aprender qualquer coisa ela seria confrontada com a alegria, com o medo, com a frustração e tantos outros sentimentos que estamos sujeitos.

E onde entra a política nesse contexto? Pois bem, criar um ambiente saudável onde os sentimentos e habilidades infantis se devolvam com qualidade e se direcionem no caminho da cidadania, solidariedade, gentileza e segurança não é só uma tarefa caseira. Apesar de principal. Pelo contrário. Nossa forma de se relacionar com o mundo impacta nos exemplos imprescindíveis que devemos dar para a boa formação de uma criança e, obviamente, alimentam e qualificam o ambiente que pretendemos esse desenvolvimento.

Tenho a impressão de que as experiências saudáveis e de atenção (com as crianças e com o próximo) auxiliam nessa conexão tão importante que tem que haver entre a criança e o mundo, de forma que elas se sintam ligadas de algum modo a todas as pessoas, o que no meu entendimento favorece o comportamento ético, responsável e socialmente produtivo, cujos frutos colheremos juntos.

Não se pode perder de vista que o atual contexto econômico e sócio-político está longe de ser edificante para tal possibilidade. Não obstante, o que se pretende com esse texto, é bom que se diga, é afirmar que a política não é só partidária e eleitoral.Nas miudezas diárias se estimulam comportamentos que, antes de sociais, são verdadeiras atitudes políticas. Dar bom dia ao vizinho, respeitar as leis de trânsito, preocupar-se com o destino do lixo, atuar na associação de bairro… Fato é que toda vez que tomamos atitudes que impactam na vida de outras pessoas atuamos politicamente. Aristótelesdizia que a política é a arte do bem viver.

Infelizmente, a falta de representatividade, a corrupção e toda sorte de mazela que nos assombra só aumenta a estatística de brasileiros que declaram ter pouco ou nenhum interesse pela política.Talvez, por essa razão, poder-se-ia imaginar que a política estaria relegada à Brasília, longe de nós. Não está.

Minha busca por informação nessa seara me apresentou aos grupos de mães. E essa questão me fez reflexiva quanto às discussões, compartilhamentos, solicitações que rotineiramente são expostos e não me deixou dúvidas quanto ao fato de que mães fazem, genuinamente, política. E ouso dizer: da melhor qualidade. Se unem em torno de projetos comuns, se organizam, questionam, se ajudam e, a sua maneira, tentam contribuir para um mundo melhor. Tentam contribuir para um mundo de conexão entre aquilo que se prega e aquilo que se pratica. Tentam contribuir para deixar filhos melhores para o mundo. E um mundo melhor para nossos filhos.

Nesse meio, entre as práticas que diariamente somos confrontadas, uma que evidencia o equilíbrio e, talvez, seja a principal nesse universo materno no meu ponto de vista, é a da não reação. Essa prática impõe que eu me permita conhecer o outro. Entender suas razões. Dialogar. Ouvir. E galgando outros patamares, encontrar discussões dialéticas saudáveis e de respeito. Mas isso só se aperfeiçoa se ao longo da vida um ambiente positivo tiver sido construído para tanto. Não adianta esperar honestidade, ética, amor daquele que sequer se referenciou desses sentimentos no seu crescimento. Lógico que exceções existem. Mas trabalhar com a regra em tema tão circunstancial é cautela necessária num mundo complexo e contraditório como o atual. Além de ser um desafio diário.

Acolher a realidade alheia, se colocar no lugar do outro é tarefa árdua quando a reação normal, em qualquer conversa, é encher o outro de argumentos, estatísticas e notícias. Compreender que a política é exercício diário e, portanto, se legitima na vida cotidiana desde a gestação é um bom termo, afinal de contas, a maternidade já é um encontro de ideologias muito distintas. Respeitar é medida de ordem nesse meio. Afinal de contas, queremos filhos educados, críticos com a realidade, conscientes de seus direitos e que contribuam para o bem estar do grupo. Entretanto, o que eu faço para ensinar esse caminho? Qual o meu nível de interesse no mundo e nas pessoas? Eu consigo enxergar o outro? E a política é isso. Um exercício diário de preocupação alheia. E se fosse uma realidade presente, não haveriam tantos desamparados.

E nesse meio, como já dito, a informação é medida de amor. Para agir é necessário saber o que acontece. Esforço para participar, acompanhar e analisar os fatos cotidianos é imperioso. E as atuais ferramentas, a exemplo de sites e e-mails, nos dão a dimensão da facilidade de se conectar com pessoas que se interessam por um mesmo tema, fóruns de discussão e uma infinidade de possibilidade, inclusive no que tange a fiscalização quanto aos projetos dos políticos que você votou. À esse respeito, sites como votonaweb.com.br e o próprio site da Assembleia Legislativa de MG (www.almg.gov.br) auxiliam bastante nessa tarefa.

Enfim, acredito que a educação emocional das nossas crianças se fortalece e aperfeiçoa em ambientes que sejam férteis a esse cultivo, dentro e fora de casa. E o conhecimento é fundamental nessa seara, afinal de contas fazer de uma criança cidadãos seguros, solidários e gentis é tarefa nossa como pais. E não há nada que ensine mais do que o exemplo nessa missão. A mais linda de todas que é educar um ser humano.

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