Saindo da inércia na maternidade

Saindo da inércia na maternidade

Logo depois de virar mãe, você descobre como é exaustivo cuidar de um bebê, ainda mais porque seu corpo está se adaptando à amamentação e dormir virou artigo de luxo. Então como pode uma mulher, nessas condições, pensar em voltar a se exercitar?

Eu pensava! Durante a gravidez, minha primeira aquisição foi um carrinho de bebê específico para corrida. Eu não tinha comprado enxoval, fralda, nadica de nada. E, quando vi esse carrinho à venda, aproveitei a oportunidade e comecei a fazer planos.

Aproveitando o soninho do Ian

Malhar e correr, pra mim, sempre foram sinônimo de energia. Quanto mais pratico mais me sinto viva, livre e feliz. Nos dois primeiros meses realmente era impossível, estava esgotada. No terceiro mês, depois da liberação do obstetra, a malhação começou em casa, aos poucos. Aproveitei bastante a bike indoor. Pedalava só quando o filho estava dormindo ou o pai estava com ele. E, para tomar banho depois, foi a mesma coisa. A ajuda da vovó foi fundamental! Até já consegui nadar algumas vezes, mas aí o esquema fica mais complexo. E minha última “aventura” foi a corrida com o Ian.

Natação em família

E minha última “aventura” foi a corrida com o Ian.

Eu queria muito sair de casa. Às vezes, mesmo dormindo pouco ou quase nada à noite, poder sair com meu filho e fazer algo que eu adoro era revigorante para mim e interessante para ele que ou dormia ou admirava a paisagem. Muito mais fácil do que ficar 24 horas por dia, trancada em casa encarando os milhares de desafios da maternidade.

A primeira barreira foi a insegurança de sair de casa sozinha, carregando um monte de coisas (carrinho, bolsa, bebê conforto, etc) e conseguir um local seguro para estacionar e ficar tranquila com meu filho. Depois das primeiras experiências, a gente se acostuma e tira tudo de letra.

Era hora de estrear o “carrinho de corrida”. Largo, grande, com três pneus (sim, você tem que encher para poder usar) e suspensão para deixar o bebê confortável e seguro o tempo todo. Um trambolho, na verdade. Tanto que só fica no porta-malas do carro.

Caminhada com o Ian

Ian e eu começamos fazendo caminhada, mas meu objetivo era voltar a correr, sempre com ele no carrinho. Aumenta a dificuldade, mas também a conexão com meu pequeno, que desde cedo vai ter contato com esporte.

Aos poucos fui me aventurando a intercalar caminhada e corrida, até conseguir correr alguns quilômetros direto com o Ian. O corpo estava desacostumado, mas tem memória. E como a corrida faz parte da minha vida há muitos anos, só precisava de alguns treinos para relembrá-lo.

Claro que o Ian é sempre prioridade. Eu me planejava para correr dois, quatro ou seis km, mas a verdade é que tudo dependia dele: se ele estava bem, com fome, agitado, se precisava trocar fralda. Certo dia, achei que estava com fome e tirei-o do carrinho para amamentá-lo. Não era fome. Ele simplesmente não queria mais ficar no carrinho. Estava agitado. Queria ver tudo ao seu redor e, de preferência, tocar. O treino virou passeio. E nada de reclamar. É aproveitar cada momento com ele. No dia seguinte voltamos para à Pampulha e, felizmente, treino concluído!

Para me incentivar ainda mais a sair e correr com ele, resolvi participar de uma prova: 5 km da Meia de BH, no dia 4 de junho. Ian estava com cinco meses e meio. Quem corre sabe que as provas costumam ser às 8h da manhã. É preciso deixar a roupa e os acessórios prontos na véspera, acordar cedo, alimentar e, principalmente, cuidar do seu filho antes de sair de casa. Eu estava na maior dúvida se conseguiria acordá-lo no frio, para sair comigo para correr. Para a minha felicidade, ele acordou sozinho. E lá fomos nós para a nossa primeira aventura oficial correndo!

Tenho que confessar

Durante a gestação do Ian engordei muito mais do que gostaria. Dois fatores foram determinantes: férias em Gramado com muita comilança, em agosto, e descontrole total no consumo de doces no final da gravidez. Resultado: 18 kg a mais. Isso mesmo, de horrorizar! O dobro do que eu havia planejado. Mesmo assim, me mantive ativa e minha última malhação foi dois dias antes do nascimento do Ian. Se não dava para controlar na comida, pelo menos dava para mexer o corpo.

 

Eu sabia que demoraria a voltar a me exercitar depois que ele nascesse. Mas não imaginava quantas transformações emocionais e físicas passaria no pós-parto. O cansaço era descomunal. Toda a minha energia era para amamentação. Dizem por aí que o gasto calórico de amamentar é semelhante ao de correr uma maratona. Eu que nunca me atrevi a correr 42 km, emagreci 11 kg nos 12 primeiros dias pós-parto. Eu me espantava cada vez que subia na balança.

E com tanto desgaste assim, precisei de ajuda para dar conta de mim e do bebê. Minha mãe sempre foi meu anjo da guarda, mas nesta fase ela se superou. Ficou três meses comigo e me ajudou em tudo o que você puder imaginar. Eu ficava tão cansada que, se não fosse ela, nem comia. Queria só dormir. Mas lá vinha ela com meu café da manhã. Comia enquanto amamentava e depois ia direto para a cama. Ela preparava meu almoço, os lanches, tudo! E eu tentava descansar enquanto o Ian dormia, mas nem sempre era possível. Pensar em malhar, então, estava fora de cogitação. O jeito era cuidar da alimentação para o bem do Ian e o meu. Aos poucos as coisas foram entrando nos eixos. Voltei a malhar, mas isso é assunto para outro post. Ah, e quanto eu emagreci até agora? Felizmente, mais do que engordei. Mandei embora 20 kg. Ainda bem! A matemática está boa, mas ainda faltam uns dois quilinhos pra eu ficar realmente satisfeita.

 

Luciana Machado, mommy do Ian, jornalista, corredora e autora do blog Saia da Inércia