Mommys pelo Mundo – Alemanha

 

Oie Mommys!

Meu nome é Tatiana, sou de Beagá, mas moro em São Paulo (capital) desde 2007. E foi aqui que meu filhote nasceu. Ele se chama José Pedro e tem 4 anos. Agora estou me preparando para mudar para Alemanha.

No fim do ano passado, meu esposo Alexis, que também é de BH, recebeu uma proposta para ser transferido para lá. E desde então estamos nos preparando para “zarpar”.

Sendo assim, vocês imaginam a correria que está para eu arrumar tudo, nos desfazer da casa toda, além de fazer todas as pesquisas que precisamos para iniciar uma vida em terras germânicas.

Muito embora pareça fácil mudar para um país estrangeiro com um emprego já garantido, não é tão simples. Existe toda parte burocrática de documentos, traduções, vistos, diferenças de taxas existentes aqui e lá; como a parte prática desfazer de móveis e utensílios domésticos (pelas minhas pesquisas, não vale a pena enviar por contêiner e eu posso explicar isso em um futuro post), colocar apartamento para vender/alugar, fazer as malas e tentar com que tudo o que sobrou caiba no mínimo de malas possível (haja excesso de bagagem!), cancelar telefones, água, luz, gás, internet e tv a cabo; bem como também a parte de lá: encontrar um local temporário para viver, e também o definitivo (existem diferenças substanciais que posso falar em um outro post também), comprar móveis e todos os utensílios novos, ligar (e entender-rsrsrs) luz, gás, água, etc, registrar no país para que obtenhamos direitos de moradores, escolher escola nova para o filho, aprender o idioma, encontrar novos médicose, enfim, acostumar com a saudade e com a outra rotina e, assim, começar a curtir a nova vida! Ufa! Será que esqueci alguma coisa (rsrsrs)?

Como estou em processo de mudança, vou contar para vocês “tim-tim” por “tim-tim” todo o andamento. Todas as partes práticas e também emocionais de mudar para fora.

Acredito que esse é um desejo de muitas Mommys atualmente, sobretudo com as perspectivas políticas e econômicas que nosso país enfrenta. Então, não deixem de acompanhar os posts com a hashtag #mommyspelomundo e comentem o que vocês gostariam de saber sobre esse processo de mudança. As Mommys que já moram fora, deixem também as dicas e informações mais importantes (todas serão de grande ajuda!)

Por hoje, apenas uma introdução, agora vou ali encaixotar algumas coisas… rsrsrs

Até o próximo!

Tati

MOMMYS PELO MUNDO – Chicago

 

“Meu nome é Ana Carolina (37 anos), sou casada com o Bruno (37 anos) e sou mãe do Felipe (2 anos). Nós moramos em Chicago-U.S. há 2 anos e meio.

Além da contar sobre minha vida em Chicago, vou falar sobre como viemos parar aqui.
Eu e meu marido somos casados há 7 anos e já havíamos morado nos Estados Unidos (2013-2014), porém cada um em um lugar (eu fazendo pós doutorado em San Antonio-Texas e ele prestando consultoria em Pittsburgh-Pensilvania).
Voltamos pra BH em janeiro de 2015, eu retomei minha pesquisa e ele a consultoria. Meu marido sempre viajou muito, ficava apenas os finais de semana em casa e nós já estávamos cansados disso, principalmente porque começávamos a pensar em ter filhos e ele não queria ser “pai de final de semana”.
Alguns meses se passaram e meu marido recebeu uma sondagem para trabalhar fora  (ainda nada certo porque dependia da aprovação do visto de trabalho), mas que dessa fez iríamos os dois, de mudança. Eu tomei um susto, mas disse que topava. Eu teria que largar tudo, e mais, iria com um visto que não me permitiria trabalhar.
Foi aí que em uma sexta-feira, 8 de maio de 2015 (véspera do dia das mães), meu marido chega em casa (depois de ter passado a semana toda fora) e me diz: saiu meu visto de trabalho, agora tenho que falar se aceito ou não a proposta. Eu respirei fundo e respondi: ok, mas agora tem mais uma coisa: eu estou grávida! (eu havia feito teste de farmácia, no trabalho, nesse mesmo dia). Foi uma alegria imensa, mas aquela segurança inicial, da minha parte, de ir, já não era mais a mesma. Tive medo de não dar conta de tudo sozinha (filho, casa, outra cidade… muitas mudanças). Fato é que meu marido tinha uns 10 dias para dar um resposta… conversamos muito, entre nós e com outras pessoas. E decidimos aceitar (seria ótimo para nós dois e também poderia abrir novos caminhos para o nosso filho no futuro). Isso ainda era maio e nos mudaríamos em setembro.
E assim foi, cheguei em Chicago com quase 7 meses de gestação. Meu marido já havia vindo antes e alugado uma casa, eu já havia pesquisado e encontrado uma obstetra brasileira.
Exatos 3 meses após nossa mudança, Felipe nasceu… 29 dezembro de 2015, muuuito frio e neve.. difícil de sair de casa. Passei por um trabalho de parto um pouco complicado, Felipe tinha queda do batimento cardíaco a cada contração, e foi assim durante quase 8 horas, até que minha médica decidiu por uma cesárea. Felipe ficou no CTI por 36 horas.. foi bem difícil. Graças a Deus me mãe estava comigo.
A primeira noite de Felipe no quarto foi no ano novo!! O atendimento que tive no hospital foi impressionante, parecia que eu era a única pessoa internada lá. Varios enfermeiros e médicos a todo tempo, consultoria de amamentação (que após 1 semana do parto, me ligou pra saber como estava tudo e se eu precisava de uma visita em casa para alguma orientação). Começava um 2016 mais que especial. Tive ajuda da minha mãe e minha sogra. E quando Felipe completou 2 meses, passamos a ser só nós 3. Meu marido trabalhava muuuito, saia muito cedo e voltava super tarde. Era bem cansativo.
A rotina ainda continua essa, há 2 anos sou mãe em tempo integral (meu filho ainda não vai pra escola) e dona de casa também (minha carreira está em stand by, mas esse ano será retomada).
Eu tive muito medo e hoje, quando paro e penso, vejo que a maternidade aqui foi e está sendo mais fácil do que eu podia imaginar. Meu marido apesar de continuar trabalhando muito, volta pra casa todos os dias e pode acompanhar de perto o crescimento do Felipe. E Ele, Felipe, é louco por esse pai.. ele espera o dia todo pela chegada dele, e quando o pai chega, não tem pra ninguém, e eu??? Adoroooo… porque já estou super cansada e quero mesmo é uma folga. E apesar da rotina exaustiva, curto e acompanho cada novo acontecimento na vida do Felipe. Ele é meu companheirinho, ele está comigo em TODOS os lugares.
Hoje eu penso que foi tudo perfeito: porque se eu já tivesse um filho no Brasil, com toda uma rede de apoio de família e amigos e de repente tivesse que me mudar e fazer tudo sozinha, seria bem mais complicado ou se eu ainda não estivesse grávida, eu ficaria com um medo danado de engravidar aqui… Deus sabe mesmo o que faz.
Já estamos super adaptados á vida aqui. Escola, até 5 anos, é bem caro (a partir daí  ele tem direito a escola pública de qualidade), esse é inclusive um dos motivos pelos quais ele só começará escola agora em maio 3x por semana. Saúde também não é barato, mesmo você tendo um bom plano de saúde, ainda gasta-se muito, caso adoeça.
Temos um pediatra muito bom, que me ajuda via email caso seja necessário (isso é raridade aqui), outra coisa que pode assustar um pouco é a alimentação… mas isso tentamos balancear em casa e não ficar paranóicos quando comemos fora de casa, mas fato é que com 2 anos meu filho já pula de alegria ao ver batata frita e pizza.
Apesar do longo período de frio aqui em Chicago (vai de out-nov até abril-maio), temos muitas opções de lazer indoor  (museus, aquário, biblioteca.. tudo preparado pra receber crianças e adultos) o que facilita muito. E o verão daqui compensa tudo, a cidade é simplesmente sensacional no calor, muita atividade ao ar livre, praia, parques, eventos de graça… e o melhor de tudo com seguranca!! Não preciso ter medo de andar na rua sozinha com meu filho, não preciso ter medo do momento de tirá-lo ou colocá-lo na cadeirinha do carro, não preciso ter medo de deixar a bolsa no carrinho e ir atende-lo no parquinho….e isso é muito importante pra mim.
Claro, sentimos muita falta da família.. e Felipe, tem sentido cada vez mais. Fala que quer ir pro Brasil, que quer ver os primos, tias, avós.. mas conversamos com ele e ele entende.
Enfim, somos felizes aqui, temos muitos amigos e uma vida maravilhosa que só nos resta agradecer!”

MOMMYS PELO MUNDO – Itália

“Olá, eu sou a Tati, esposa do Paolo e mãe do Rafael de 4 anos – e nós moramos na Itália.

Antes de começar a contar como viemos parar aqui preciso voltar em 2009.

Eu morava em Nova Iorque há alguns anos mas já estava cansada da vida frenética de lá. Paolo, que é italiano nato, foi passar uns dias de férias com a família na cidade e eu o conheci. Continuamos nos falando todos os dias (eu em NY e ele na Itália) até eu conseguir fazer a minha mudança de “volta” para o Brasil no início de 2010.

Cheguei em BH, resolvi umas questões burocráticas e na metade do mesmo ano já estava a caminho daqui. Fomos morar juntos e acabei morando com ele por 3 anos. Nos casamos aqui mesmo, parte da minha família veio. Foi uma festa bem linda e tipicamente italiana com toques de Brasil. Esses 3 anos morando aqui foram muito bons mas eu não estava feliz. Eu tinha saído de uma realidade como Nova Iorque para vir morar numa cidadezinha de interior, com 4 mil habitantes no norte da Itália. A vida era muito pacata e eu praticamente não trabalhava. Paolo tinha uma certa flexibilidade no trabalho e conseguíamos viajar, saíamos muito para jantar fora, ele tocava em uma banda na época e toda semana tinha um show. Eu adorava, mas a vontade de estar perto da minha família, dos meus amigos e do meu país só aumentavam. Já eram quase 10 anos morando fora do Brasil e perdendo todos aqueles momentos mais importantes na vida de quem amamos: casamentos, nascimentos, mortes, doenças. Perdi muita coisa.

No início de 2013 descobri que estava grávida e foi aí que tirei forças para mais uma mudança. Era hora de voltar para BH e ter meu filho perto da minha família. Meu marido, que sempre morou na mesma cidadezinha, topou na hora! Apesar dele ter um emprego seguro, com zero chance de demissão, ele estava desmotivado e via no Brasil uma oportunidade de crescer profissionalmente e um ótimo lugar (com clima maravilhoso) para criarmos nosso filho.

Voltei para o Brasil grávida de 4 meses com mil malas, meio enxoval debaixo do braço e minha cachorrinha na garupa.

Começamos nossa vida do ZERO. Compramos apartamento, reformamos ele todo, compramos carro, nosso filho nasceu. Eu desempregada, claro, e o Paolo, sem curso superior, dando duro na empresa que trabalhava. Ele conseguiu um trabalho na mesma área em que tem formação técnica, mas como não tinha um diploma era visto como um imigrante incapaz. Como ele se decepcionou..ele que sempre foi muito bom, acima da média no que fazia, mas teve que provar muito que era excelente até conseguir crescer na empresa e ter o respeito das pessoas.

Vivemos por 4 anos no Brasil. Foram anos de muita dificuldade, de muita ralação e sem dúvidas muito aprendizado. Falamos que se sobrevivemos esses 4 anos morando aí, passaremos o resto das nossas vidas juntos.

Muita coisa chata aconteceu nesse período. Nosso padrão de vida era muito inferior ao que estávamos acostumados aqui na Itália. Meu marido foi assaltado a mão armada em uma manhã em que esperava pelo ônibus da empresa para ir trabalhar. Nosso carro foi arrombado em uma rua movimentada num dia de semana. Todas essas coisas foram nos desestruturando.

Um certo dia, no início do ano passado, meu marido me disse: eu estou aqui por você e pelo Rafa. Só por isso. Se você me disser que quer voltar a morar na Itália, eu juro que começo hoje mesmo a procurar um emprego lá. A ideia de deixar novamente minha família me matava. Mas naquele momento eu já não aguentava mais tanta tragédia, tanta maldade, tanto absurdo que víamos e ouvíamos. Coloquei meu filho na minha mente e visualizei a vida que eu queria dar pra ele. Só pensei nele. O que seria bom PARA ELE. Sem pensar na comodidade do meu marido em voltar para o seu habitat natural, sem pensar na vidinha pacata e monótona que eu poderia voltar a ter dali pra frente. As respostas estavam claras na minha cabeça e tomei a decisão.

Naquele mesmo dia Paolo inseriu o currículo dele num site italiano de empregos e começou a receber notificações de vagas do interesse dele. Foi muito rápido, em pouco tempo ele já estava fazendo entrevistas por skype e passando pelas etapas do processo de admissão.

Recebeu 3 ótimas propostas. Escolheu, claro, a melhor. Foi Deus, não tenho dúvidas. Foi nos guiando em todos os passos.

Paolo veio na frente porque começaria logo a trabalhar. Eu fiquei mais um mês no Brasil resolvendo as questões da nossa mudança, de novo.

Tudo deu muito certo pelas condições que já tínhamos aqui. Temos uma casa que é nossa, ele tem um emprego garantido (o contrato dele é de tempo indeterminado e não pode ser demitido), temos a outra metade da família que nos dá total suporte, temos toda uma estrutura. Não saímos do Brasil com a cara e a coragem. Não faríamos isso de novo!

Após esses 3 meses da nossa mudança faço diariamente uma reflexão: como a vida aqui agora com o Rafa faz mais sentido. Nossa vidinha aqui é muito pacata sim, mas com filho fica tudo muito mais colorido. Nossa rotina é tão tranquila! A nossa qualidade de vida é lá no alto.

A escola dele é integral e particular (até 5 anos de idade – depois é pública). Pagamos 170 euros por mês de escola e isso inclui o almoço maravilhoso que eles oferecem. Super balanceado: muita fruta, verdura, legume, massas, carne, peixe, pão. Não precisamos mandar nada além. A metodologia do ensino é montessoriana. Na sala dele tem crianças de 3 a 5 anos. A saúde é pública. Ele tem o pediatra que o atende que sempre que precisamos conseguimos uma consulta para a mesma manhã. Remédios com receita tem quase custo zero. Agora estamos no inverno e isso é um pouco complicado para quem vem de um país como o Brasil. Ele adoeceu 3 vezes durante esse tempo. No Brasil não adoecia nunca. Além das baixas temperaturas, a entrada dele na escola agora foi como o início da vida escolar. Mas isso é o de menos. Ele já está super adaptado, se comunica com muita desenvoltura com os coleguinhas. Uma vez por semana vamos à biblioteca porque fazem leiturinha para as crianças e trabalhinhos manuais. É uma delícia!

Pela primeira vez nesses 4 anos estou conseguindo realizar o papel de mãe. De levar e buscar na escola, de levar ao médico, levar para fazer atividades, para brincar, de acompanhar de perto o crescimento dele. E confesso que estou adorando ter mais tempo para ele.

Entendi que preciso me abrir para o novo, me inserir na cultura e nos costumes das pessoas daqui. Isso faz muita diferença! Quando você sente que faz parte daquela comunidade e não é somente um estrangeiro vivendo num lugar que não é seu. Isso aqui agora é meu sim e quero fazer as coisas que as pessoas daqui também fazem. Temos casais de amigos com filhos, nos encontramos sempre. Comecei a fazer aula de dança latina, estou me dedicando a fazer caminhada, corrida, o que aparecer eu vou. Tenho um projeto ainda no papel de trabalhar de casa. Participo de tudo que me convidam. Hoje posso dizer que era essa vida que eu sempre sonhei para minha família!”